6.11.07

Finados

Que feriado prolongado deprê...
Mesmo depois do Tim Festival ("Não há nada pior que a sucessão de dias felizes", algo assim).
Vi um documentário sobre o Big Bang, o Universo está expandindo, e eu aqui, proletáriado...

Sábado fui cancelar mais um curso, graças a injustiças contratuais e mais decepções...
Não sei o q vou fazer ano q vem...

Whatever...

22.10.07


10.9.07

Eu, amanhã I

Velho, ranzinza, com uma inteligência que não me satisfaz, sozinho.
Teria muitos livros, dois gatos, antigas paixões mal sucedidas, que fizeram os amantes sairem da cidade.
Frequentaria cafés charmosos, teria um ar de orgulho inabalável e de poucos amigos, literalmente.
Imaginaria compromissos para parecer importante, mas num convite qualquer cancelaria os mesmos.
Manipularia colegas de trabalho atrás de uma companhia ao meu nível ou melhor, mais jovem e sensível.
Tirando proveito de uma confiança interesseira, guardando segredos e agindo maldosamente ingênuo.
As pessoas iram confiar em mim parar guardar segredos, mas em quem eu confiaria para guardar os meus ?



"Pessoas como Sheba pensam que sabem o que é ser solitária.
Mas daquela solidão de gota, que dura para sempre, não sabem de nada.
Como é imaginar um fim de semana só para visitar a lavanderia.
Ou permanecer intocada de modo tão crônico que o toque acidental do motorista do ônibus manda
um choque direto para suas entranhas.
Disso, Sheba e pessoas como ela não fazem idéia."

8.9.07

A Locadora - O Primeiro Dia




Cinco meses depois que eu terminei a escola, Givago me chamou para trabalhar na locadora onde ele era o gerente.Já tinha ido lá várias vezes pegar filmes grátis, graças a ele mesmo.Sempre foi um “sonho” meu trampar numa locadora, tanto pelos filmes grátis e também pelo filme O Balconista de Kevin Smith que tanto mexeu comigo.
Ia trabalhar das 10:00 as 16:00 todos os dias, uma folga por semana numa locadora localizada num bairro de “classe A”.
Fiquei realmente contente, meu primeiro emprego, filmes, trampar com amigo, enfim...
Na noite anterior do primeiro dia, como sofro de ansiedade, não consegui dormir, na verdade não dormi nem no meu quarto, fui para a sala porque uma barata tomou conta do quarto.Foi horrível, ela subiu em cima de mim, descendo pelo meu braço!Levantei correndo, peguei um travesseiro e meu edredom e fui para o sofá.
Ia começar na parte da noite como treinamento, pois tinha mais movimento.
Cheguei por volta das 15:30 e subi para o escritório.
Lá estavam almoçando Givago e Nilson, era comida chinesa.
Sentei do lado de Nilson que me ofereceu suco, Givago disse:
- Cuidado, ele é soro positivo.
Eu, assustado, os dois gargalharam.
Ri para não ficar chato.
Já conhecia o humor negro do Givago, eu também tinha um pouco desse humor, mas espalhar doenças que os outros tem (e até hoje nem sei se é verdade) foi demais.
Hoje dou risada do acontecimento e espalho falsas (e até verdadeiras) doenças por aí.O importante é deixar o mito vivo.Não importa como.
Conheci também Mariana, a garota que eu deveria substituir.Mas por outros fatores acabei substituindo outra menina, a Gabrielle.
Mariana cuidava do sistema da loja e segundo Givago, Guto, o dono da loja, detestava ela, mas Mariana era competente no que fazia.
Aprendi a fazer um cadastro e também soube mais das promoções e como funcionava o envio de filmes para a loja, que ficava no térreo.
No primeiro andar, no escritório ficava um buraco que descia até a loja, descíamos os filmes pelo buraco, que ficavam numa espécie de fichário dentro de gavetas enormes.
Pelo MSN digitávamos o código de cada filmes para que, quem ficasse no escritório, descesse os dvds.Complicado?Nem tanto.Tente agüentar a cara feia de certos clientes que reclamavam da demora.Demos o apelido de “escotilha” no buraco por causa do seriado Lost.
Desci para a loja para começar meu primeiro dia e conheci Cleiton, que trampava nela desde quando abriu, assim como Mariana.Cleiton é um cara legal, gay assumido, mas discreto e amado pelas clientes da loja, tem um ótimo gosto e sabe indicar filmes!
Apesar do nervosismo o primeiro dia foi tranqüilo.
Depois das 18, entrou um cara com um capacete e perguntou pelo Cleiton.
Eu disse que ele estava fora.
O motoboy perguntou se eu era novo e eu confirmei.
Perguntou também se eu também era frutinha como todo mundo da loja.
Eu disse que não era.
Depois ele me ofereceu sorvete que estava tomando, e eu educadamente recusei.
Ele disse que era bom mesmo porque eu estava muito gordinho.
Fiquei espantado.
Como dizer isso de uma pessoa que você numa viu na vida?
Absurdo.
Toda essa cena assistida pelo Givago que arrumava alguns filmes, ele estava vendo como eu me saía na situação.
E não poderia me sair melhor: ri para não ficar sem graça.
Depois soube que o motoboy (com forte sotaque carioca, todo malandrão) trabalhava perto daqui e a namorada dele trabalhava no shopping (ficávamos atrás de um shopping de “luxo”) e que eram amigos do Cleiton.Hoje em dia o motoboy carioca ainda visita a loja, sempre com piadinhas péssimas e constrangedoras.
Depois entrou uma cliente nervosa dizendo que não ia pagar pela locação porque tinha cena de estupro no filme, um dos primeiros de vários momentos surreais que eu iria presenciar.
As horas foram passando, atendi um cliente que trocou de filme, quando fui fazer a cancelamento, acabei cancelando outros pedidos, alguns deles feitos pela Internet.
Nossa locadora conceitual locava filmes pela Internet também, entregamos e retiramos sem taxa, das 18 as 21.
Fiquei em pânico, não sabia o que fazer.Quando fui tentar consertar acabei adiando algumas devoluções, mas o Givago e a Mariana consertaram tudo.
No fim do dia, o caixa fechou sobrando uns trinta reais, nada mal para meu primeiro dia.
Voltando para casa percebi o quanto estava feliz, com tamanha mudança de vida, ganhando minha própria grana, conhecendo gente nova, vendo vários filmes de graça.Vi que estava no caminho certo, mal eu sabia o quanto estava enganado.
Continua...

4.9.07

Como se não fosse sábado



Currículos enviados, ajudas solicitadas, amigos avisados.
Quero muito sair da locadora.
O alzheimer da minha vó está piorando.
Agora que divido um quarto com ela, é impossível dormir.
Acordo de madrugada com ela acendendo as luzes e procurando roupa, reclamando
de tudo e de todos e questionando o fim dos remédios eternos.
As brigas aumentam, cada um jogando passado na cara do outro e meus
fins de semana durando no máximo duas horas.

Trabalhos da escola atrasados, vontade sumindo e obrigação
te puxando pelo braço.

Brigas e cara feia da minha mãe não aguento mais. pede pra eu ajudar financeiramente
em casa, mas ela se esquece que recebe quase 8 vezes a mais que eu...
Minha família que se ofende muito ou eu que sou desprovido de emoções mais complexas ?
Estou acostumado com o tédio, nada mais me ofende, nada mais me interessa, porém estou mais sensível ao sentimentalismo barato.
Não mostro o que estou sentindo, o que estou sentindo é muito pouco.
Amigos distantes, eu mais distante ainda, me protegendo de algo que nunca irá me atacar...
The state that i am in..

25.8.07

Design "É Nóis"

Museu de NY expõe design útil para favelas
BBC

Entre os cerca de 30 objetos expostos, estão o LifeStraw, uma espécie de canudo que purifica a água

Em plena 5ª Avenida, símbolo de riqueza em Nova York, um museu de design expõe em seu jardim criações para um público-alvo que passa longe das mansões históricas e butiques de luxo que caracterizam a avenida nova-iorquina.

A mostra "Design for the other" 90%, no Museu de Design Nacional Cooper-Hewitt, propõe-se a apresentar soluções criadas por designers profissionais para as mais de 5 bilhões de pessoas no mundo (90% da população total do planeta) que não têm acesso a uma infra-estrutura básica de vida. São, por exemplo, moradores de rua e de favelas, ou refugiados.

A exibição, sob curadoria de Cynthia E. Smith, é dividida em seis seções - água, abrigo, saúde e saneamento, educação, energia e transporte.

Entre os cerca de 30 objetos expostos, estão o LifeStraw, uma espécie de canudo que purifica a água, a Big Boda Load Carrying Bicycle, bicicleta que consegue suportar uma carga pesada, e móveis construídos com destroços do furacão Katrina, que atingiu Nova Orleans em 2005.

No site da internet criado para a exposição, um morador de Burundi, na África, já demonstrava interesse na bicicleta, pedindo informações de preços. "Ao mostrar o trabalho de designers que usam suas habilidades e capacidade de invenção para produzir soluções arquitetônicas e de design que realmente afetam problemas de qualidade de vida, o Cooper-Hewitt vai alertar para a necessidade de um design humanitário", disse o diretor do museu, Paul Warwick Thompson.

Criação brasileira

No jardim do museu estão expostos alguns exemplos de abrigos, como o Global Village Shelters, usado como uma casa ou um posto de saúde temporário, e o Mad Housers Huts, construídos por voluntários para moradores de rua.

Mas Ellen Posner, crítica do "Wall Street Journal", aponta dois problemas com essas criações. Em relação ao abrigo Mad Housers Huts, ela escreveu em artigo recente que "parece algo em que você não colocaria nem o seu cachorro para viver".Já o Global Village Shelters, é, segundo ela, "desconfortavelmente quente mesmo em um dia frio de primavera". A crítica elogia outra criação que não está exposta, mas foi incluída no catálogo de 144 páginas da mostra. É o Inclusive Edge Canopy, criado pela Associação de Arquitetônica de Londres em cooperação com a Universidade Federal de Recife.Trata-se de uma cobertura de lycra, sobre cabos de aço, que cria uma ampla sombra. Um objeto útil e visualmente agradável, segundo Posner.

"Está de acordo, para moradores de favelas no Brasil ou um assentamento de colonos, com a mesma necessidade de estética de qualquer outra pessoa", escreveu a crítica.Embora considere a exposição "bem-intencionada", David Stairs, diretor da ONG Designers Without Borders, escreveu no site "Design Observer" que muitas das criações apresentadas na mostra têm utilidade questionável ou não são tão acessíveis.Ele cita o exemplo do projeto Um Laptop por Criança, incluído na mostra. O projeto de Nicholas Negroponte, do Instituto de Tecnologia de Massachussetts (MIT, na sigla em inglês), tem como objetivo produzir computadores de US$ 100 para crianças.

"Ignore o fato de que o preço subiu para US$ 195 ou que o pedido mínimo de US$ 250 mil deve ser feito primeiro, colocando o computador fora de alcance de qualquer organização menor do que a Oxfam", disse Stairs.A mostra Design for the other 90% está aberta ao público até 23 de setembro.



Mais fotos aqui.

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