10.7.12

Quase

Se tem uma palavra que me defini é "quase". Sou uma pessoa muito "quase". Até na hora de desistir. Eu sempre quase desisto.

25.6.12

Keep Your Solitude To Yourself

Nas últimas 3 semanas, três amigas diferentes vieram conversar comigo sobre a solidão delas. Uma com uma situação bem grave, outra com uma situação inédita para mim (nunca imaginaria essa pessoa reclamando de solidão... Acho que uma prole não é o suficiente... Nada é suficiente, eu sei. A solidão dela me deixou surpreso e curioso). E a outra pessoa sempre sofre de solidão e ainda não superou que nascemos e morremos sozinhos (eu sei, ninguém supera).

Todas essas solidões tem algo em comum: a rejeição. A mais grave foi rejeitada e não esperava isso. Não por ser arrogante, mas fazia tempo que ela não era rejeitada e acredita estar velha demais para esse tipo de coisa, ficando bem depressiva com toda essa situação. Todas elas tem outra coisa em comum, muito mais importante que a rejeição: elas são bonitas, inteligentíssimas, bem sucedidas, bem humoradas, enfim, são pessoas bem interessantes.

Não sei ao certo as rejeições de cada uma delas, mas sei muito bem das minhas. Lembrei de todas que eu sofri. Foram bem poucas, mas todas bem marcantes e sem fazer drama, foram traumáticas. E o fascinante é que como todas minhas paixões foram platônicas, eu aposto que nenhum desses meus amores inexistentes sabiam que um dia chegaram a me rejeitar.

Uma das rejeições mais importantes que aconteceu comigo foi justamente com meu primeiro amor. Não vou estender muito essa história, mas ela ainda é muito especial para mim e dividimos momentos que eu nunca vou esquecer e foram tão significativos para mim (acho que só para mim), que sempre que eu recordo deles sinto um frio nostálgico no esôfago e meus olhos ficam instantaneamente tristes. Os momentos mais mágicos aconteceram em cinemas e com filmes que por ordem do acaso, que é irmão da coincidência, retratavam nas telas o que eu estava passando na vida real. Ainda choro quando os revejo. Como nunca declarei meu amor por ela, Thalita nunca chegou a me rejeitar. Ela idealizava e comentava um certo tipo de amante que tristemente era o oposto do que eu era. Mais alto, mais velho, mais cabeludo, sem miopia e bem mais magro (a ironia, parente maldita do acaso e da coincidência, é que hoje ela é casada com um gordinho).

Muitos anos depois eu tive uma rejeição parecida. Estava tão apaixonado por essa outra pessoa que cada vez eu tocava na mão dela, sentia uma dor horrível. A Carol também declamava seu amor idealizado pelos corpos esbeltos e perfeitos. É muito triste quando alguém que você ama, ama o oposto do que você é. Nesse dia entendi o que significa a frase "você é o que você ama e não o que ama você".

Mas a parte mais triste desta última rejeição foi quando no último dia de trabalho dela no mesmo lugar que eu também trabalhava (e eu sabia que encontra-la novamente ia ser difícil), no momento que nos despedimos, ela me abraçou fortemente, depois olhou nos meus olhos e disse que eu era uma das pessoas mais incríveis e especiais que ela já tinha conhecido. Esse elogio acabou comigo e me fez pensar: se ela me acha tão incrível e gosta tanto de mim por que...? Melhor nem pensar sobre isso...

A rejeição (e a solidão) mais importante da minha vida e a mais traumática é a minha própria rejeição. Mas essa rejeição eu guardo para mim mesmo. Só deixo uma frase que uma outra amiga (também rejeitada pela vida) disse para mim: “Se um dia ele se enxergar como a gente enxerga ele, vai ser amor à primeira vista.” Acho que serve para todos, não?



“... Solitário, tu segues o caminho do amante: amas-te a ti mesmo, e por isso te desprezas, como só desprezam os amantes. O amante quer criar porque despreza! Que saberia do amor aquele que não devesse menosprezar justamente o que amava?”

“... Chamam-vos gente sem coração; mas o vosso coração é sincero, e a mim agrada-me o pudor da vossa cordialidade...” – Nietzsche

10.6.12

Alguns momentos te definem, outros te desconstroem.

28.5.12

Uma Adaptação Séria III

Hoje em dia cada um vive sua própria odisséia pessoal. Um dia inteiro pode ser épico enquanto o outro é um breve capítulo ou nota de rodapé.

Pensamentos sobre a vida e a morte atrapalham o foco no seu trabalho.

O foco no trabalho atrapalhando seus pensamentos sobre a vida e a morte.

(Só no caso de eu explodir)

De repente, o cansaço interrompe minha linha de pensamento. Um cadeirante tentando entrar num ônibus lotado tira a minha atenção. Acho que mesmo no meu quarto vazio eu nao conseguiria escrever sobre os bravos contos de nós, Ulisses. Estou pensando nas dores. Físicas dessa vez. Elas me fazem odiar meu corpo e óbvio, eu mesmo. Um nojo que eu não sentia faz tempo. Penso nos dias que restam até a viagem, quem vou encontrar lá e de como vai ser. Espero que as dores passam até lá... 

Dores físicas e abstratas...

"Quantos dorflex você toma?" Pergunto para uma amiga. Quero (não) sentir algo além das dores.

Uma das três pessoas que me entende me manda uma foto de um monstrinho e ele consegue fazer outro monstro lacrimejar os olhos num metrô lotado.

Quem precisa de um dia se ainda existem instantes maravilhosos?

4.5.12

Uma adaptação séria II


Descendo a rua sozinho, com medo, armado com uma chave que nem sequer era pontuda. O medo de sua mãe herdado para ele. Preocupado, pensou em desistir e ir para casa, mas tinha acabado de chegar onde estava indo. Entrada deserta, uma porta entreaberta. Viu se não tinha ninguém e abriu. Estavam montando o palco. Ainda faltava uma hora para começar o show e era óbvio que ia atrasar. “Amanhã tenho que levantar cedo”, pensou como motivo para ir embora. Daí pensou que da última vez que isso aconteceu tudo deu certo e preferiu atravessar a rua para esperar a fila se formar. Odiava esperar. Odiava filas. Estava sempre adiantado. Pelo menos em seus pensamentos. Quase calculados. Entrou na Fogazzeria e perguntou se eles estavam fechando. Idiota. Nada estava para fechar no baixo Augusta. Tudo começa à noite. Ele sabia disso. Disseram que estavam abrindo. Pediu uma cerveja long neck e escolheu um lugar afastado de um trio de homens que chegaram junto com ele e sentou-se. Enviou uma mensagem para sua mãe, tranquilizando-a dizendo que estava esperando o show começar. Tomou a cerveja devagar pensando em nada e depois em na lan house ao lado para matar o tempo. Decidiu aproveita esse momento sozinho. A cerveja terminou, levantou, pediu outra long neck e uma caneta que pudesse usar. Confirmou se podia mesmo usar a caneta, mesmo ainda em dúvida se ia usa-la ou não. Pegou seu caderno da mochila, abriu nas últimas páginas e clicou a caneta para a ponta aparecer. Desenhou um rosto sombreado e depois desenhou o que achava que sabia desenhar: sua própria caricatura. Desenhou ele mesmo com a boca aberta para variar um pouco e caprichou no volume dos cabelos encaracolados e maltratados pelo dia. Começou a escrever sobre sua descida pela Augusta e de como tinha medo de ser assaltado. Riu. Deu uns goles na segunda cerveja e ao escrever “cerveja” novamente colocou o jota antes do vê. Sinal que estava, sei lá... Disléxico, talvez? Pensou em responder que estava escrevendo sobre ele, caso o mendigo entrasse e perguntasse sobre o que estava escrevendo. Pensou em devolver a caneta, escreveu esta última linha e depois colocou o lugar e a data de hoje. Gostava de registrar as coisas, dando um certo firmamento aos momentos.

São Paulo, 03 de maio de 2012

Fechou o caderno e abriu novamente. Escreveu que quando parou de escrever, levantou a cabeça rápido e sentiu-se um pouco zonzo. Click.

2.5.12

No Bells

O melhor lugar para fumar em paz é do lado de uma igreja a noite. Não sei porque, mas parece que todo mundo que te vê parado e pensativo do lado de uma igreja respeita sua solidão.

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