8.3.13

Diário de um enfermo

08 de fevereiro

Eu gosto mas n estou apaixonado. Não é como antes. Quero saber tudo sobre essa pessoa, quero passar mais tempo com ela mas não preciso tocá-la...

 08 de março

Nossa, como odeio me apaixonar! (Mesmo que levemente). Prefiro estar gripado!

Sempre que começo a me apaixonar eu começo a me automedicar. Seja com fluoxetina, pensamentos infrutíferos ou Bataille – de qualquer forma pareço querer me curar.

 E pela primeira vez dessas paixões estou me analisando condicionalmente: realmente acho que as paixões deste tipo sejam como doenças? Talvez sim: me contagia, muda minha rotina, me desestabiliza, me transforma, como um vírus, um parasita, me desfoca do que prestava atenção antes. Sonho com isso.

 E sempre tento (e consigo) me curar, de uma forma ou de outra. Acredito que nada irá vingar, nada será realizado. Nunca.

 A “cura” parte de mim e o vírus nunca sabe quando o doente está enfermo.

28.1.13

Ainda não escureceu.

Se perguntassem ele responderia que não estava gostando de ninguém. Mas só foi o tempo esfriar que ficou mais confortável e perceber que a garota nova era incrivelmente interessante. Mas isso não é sobre ela. Tem mais a ver com o frio que sentiu. O ar gelado e condicionado do vagão do trem subia pelas suas pernas como se acariciasse sobre o jeans. Pelos pequenos buracos do tênis novo, a corrente de ar gelado entrava e seus dedos se contorciam para se aquecerem. Estava pensando que havia muito tempo desde que não se apaixonava. Só queria uma garantia de que isso aconteceria novamente. Antes que sua alma se transformasse em ferro. É horário de verão e ainda não escureceu.

31.12.12

Season Finale VI

Anteriormente em Season Finale...
 


Deconstruções. Vida não segue roteiro, mas sim o acaso.

Preenchimento automático. Uma vida vazia é uma vida desperdiçada. É possível surgir coisas a partir do nada. Não é isso o que pensam os físicos?

O lado bom de não ter uma janela aberta na sua frente é que você pode imaginar o que se passa do outro lado da parede. Quando você imagina as milhares de posibilidades, tudo fica permitido e nada é realmente verdadeiro. Pode se fazer tudo.

Com uma pequena ajudinha dos meus amigos, um ano sem paixões se transformou num ano de posibilidades e mais experiências foram realizadas. Um vento idiota e otimista se confronta com você e te leva adiante.

Apesar de às vezes nos sentirmos sozinhos, a distância e a saudade dos melhores amigos são quebradas pelas lembranças boas e momentos registrados em RGB. E eu sonhei que vi meus amigos. Não preciso deles. Eu preciso deles.

E onde vocês estavam, meus amigos? Acho que as pessoas não conseguem me encontrar.

Fui até lá encontrá-los e algo incrível aconteceu. Acabei me desencontrando comigo mesmo.

Alguns momentos te definem e outros te descontroem.

“E o que seus olhos verdes viram?”

Vi uma janela significativa e a maior que já vi.
Eu vi uma casa acolhedora e quente no dia mais frio do ano.
Eu vi tetos abertos e paredes em pé. Destroços reais que me marcaram.
Eu vi dez mil assentos vazios e ninguém para ocupá-los.
Eu vi sujeira misturada com beleza. E quase ninguém viu.
Eu vi escrituras em paredes nada sagradas.
Eu vi expressões humanas solitárias em buracos escondidos.
Vi pelas pequenas aberturas das portas, uma percepção gigante que ainda assombra minha mente.
Eu vi homens e mulheres abraçados. E homens e homens. E mulheres e mulheres. E crianças e crianças. E o sexo.
Eu vi uma irmã com um sorriso triste.
Vi pessoas parecidas com salgados de boteco.
Eu vi uma sala com mil histórias.
Eu vi espelhos antigos e embaçados. Não sei quem era no reflexo.
Vi uma entrada para coletivos.
Eu vi uma boca escura com bafo quente. E muitos entravam por ela. E seus corpos ficavam lá dentro e somente seus espíritos saíam. Feridos no amor. Feridos no ódio.
Eu vi uma sala de cinema com uma tela escura. E o filme se passava na platéia.
Eu vi uma viagem. Eu vi uma ideia. Eu vi um lugar. Eu vi uma vida. Eu vi um passeio. Eu vi um trabalho. Eu vi um reencontro. Eu vi um encontro. Eu me perdi. Eu vi uma mudança.
Eu vi homens bebendo juntos na paz de mais de 2190 cervejas.
Eu vi espelhos reais em banheiros nojentos.
Eu vi o olhar penetrante de um assassino.
Eu vi doentes terminais jogando a vida.
Eu vi perdidos na indiferença com vícios incontáveis.
Eu vi uma casa escura, clara, sem sol, iluminada, quente e fria e viva e morta.
E foi um frio forte, e foi um frio muito forte que passou. No corpo e na alma.

Do sim ao não, quantos talvez? “Não se preocupe, somos feios, mas nós temos a música.” – eu responderia se você me perguntasse.

E tudo se registra no meu olhar eletrônico: figuras da cidade, perdidos calçados, passageiros da rotina, arquitetura proposital, prostitutas nas paredes, números afogados, tudo são minhas obsessões da memória que vai se perdendo num lugar escuro e inabitável. Tudo precisa ser registrado e marcado para não ser esquecido. Motivos e significados que num futuro próximo vão parecer sonhos dentro de sonhos. Basta olhar para longe para se sentir perto.

Do que se passou, uma pequena coisa: era hora de fingir as boas vibrações que emanavam do céu cinza e chuvoso de abril. A companhia da rotina mais uma vez se fez presente nas semanas de trabalho – para que eu não possa viver eternamente e ficar tão cansado o bastante para não pensar em nada. Mas não entre em pânico, continue vivo e cante para você mesmo canções de ninar… Este é só o acaso, primo da coincidência. E no fim do seu próprio mundo, você flutuará pelo espaço confortavelmente dopado. 

Venha me visitar logo… Com certeza é solitário viver aqui na lua.

18.12.12

A felicidade invadiu seu cérebro e ele não sabia o que fazer. Inundou seu corpo como se estivesse morrendo afogado e não pedia socorro. A felicidade entrava pelas suas narinas e ocupava seus pulmões. E ele não fazia nada. Não havia nada a ser feito. Era o álcool, a música, o balanço do ônibus e a visão de duas freiras sorridentes.

25.11.12

221112

O que eu poderia fazer para dormir melhor? No que eu poderia pensar para dormir mais rápido? Sinto que estou perdendo algo todos os dias. E estamos. Sei que estamos. E perdemos algo que não existe. Só existe no meu pensamento. E se perdemos algo que existe, este algo somos nós mesmos. Eu estou desaparecendo. Deito e fito a escuridão para ouvir o silêncio e nada muda e tudo muda ao mesmo tempo. Tempo é o que eu perco. Tempo para que? Em outro universo eu estou na frente. Em outro nem comecei a pensar ainda. E tem tanto em que pensar. Suspiro e olho para este texto em letras que amanhã não conseguirei ler. Escrevo assim de propósito (?). Desmerecendo e desdenhando o que penso. Ia começar a escrever sobre o porque que comecei a fotografar. Para guardar um momento? Para me guardar? Capturar alguma essência como eles faziam no começo de tudo? Capturar almas. Quantas almas poderei ter? Tantas quantas as perguntas e pensamentos e eus e universos e tempos? Obcecado pela marca, registro, passado e memória. Tudo isso com medo do futuro e louco para que o presente se torne passado. Mais um paradoxo para minha coleção.

20.11.12

Pillow Talk Show II

Ontem a noite eu estava tão indisposto e doente que queria que alguém lesse uma história para eu dormir. Fechei os olhos, virei para o lado, mergulhei nos travesseiros e esvaziei minha mente para eu mesmo me contar uma história.

Anteriormente