Só o empirismo e a necessidade salvam! Adaptação. Sempre.
12.3.19
Você está na minha visão periférica
Você está na minha visão periférica. Minha concentração abalada. Acendo um cigarro atrás do outro mesmo não querendo fumar. Bebo um gin para relaxar minha mente. Mas a paixão é mais forte. Estou doente de paixão. Daria tudo para estar ao seu lado, ao seu corpo, ao seu cheiro, ao seu gosto, ao seu sorriso. Daria tudo para me ver nos seus olhos de mel. Tão cheios de luz que iluminou minha existência apagada. Eu me percebi. Eu sou. Eu existo. Eu adoro quando você me faz cócegas, a coisa que eu mais odeio. Você ressalta meus defeitos para transformá-los em qualidades.
Tento não pensar duas vezes, não quero expectativas, quero decisões, se ele existe, quero seu amor. Eu estou no lado escuro da estrada e você ali, longe e iluminada. E eu parado, nuvens chorando, estrelas sumindo, e você ali, como a lua, longe e praticamente inacessível. A nossa intensidade me devorou como um lobo selvagem.
Eu penso em você e imagino o quanto de realidade é realmente real. E sim. Você existe. Há alguns quilômetros de distância você está lá. E eu estou aqui. E você também. Na minha visão periférica.
31.12.18
Season Finale XII
Muitas vezes um passo para a frente não pode ser desfeito. Muitas vezes um passo para a frente significa seis passos para trás. E aí, como você dorme? E aí, como você vive? Como todo mundo vive? Essa é a sombra de pensamento que me acompanha. Como todos podem estar sorrindo? Eles não estão vendo ou vivendo o que estão na frente delas? E pernas não param quietas, e os pensamentos voam e o ar cessa e o peito dói. Eu realmente só queria andar meio desligado no meio da multidão. Dopado. Ou desligado sozinho no meu canto. E desta vez eu consegui. Mas eu não estou realmente sozinho. Posso estar, mas não estou. É complicado. Eu preciso tirar um retrato da minha cabeça. Analisar o que tem lá dentro. Pelo menos uma única tentativa antes de dar adeus a tudo que eu conheço. Como eu durmo? Com calor. Com frio. Com ansiedade. Com sede. Durmo lembrando dos momentos de embriaguez solitária em lugares desconhecidos. Durmo com vontade de repetir tudo isso e para sempre. Durmo ansioso querendo chegar logo aos sonhos e aos pesadelos. Durmo para chegar neste lugar descontrolado que é a minha imaginação. Meu "kumomi" dos sonhos aleatórios. Meus sonhos invertidos, onde o que está em cima, está lá embaixo e vice-versa. Porque o chão é azul e ele me faz rir. Espero conseguir o que preciso.
28.10.18
Eu não quero falar sobre isso hoje
Eu não quero falar sobre isso hoje. Hoje é um dia adorável. Não quero falar sobre o punhal fatal que arranquei do meu peito. Não quero falar sobre meu coração saliente. Hoje é um dia incomum. Não quero falar sobre os ratos que perambulam meu rosto inchado e inocente. Não quero falar sobre as ameaças desbravaras em cima de mim. Hoje é um dia molhado. Não quero falar sobre a minha falta de ar. Não quero falar sobre a minha saudade de afeto. Hoje é um dia curto. Não quero falar sobre as toxinas que ingeri à tarde. Não quero falar sobre o enjoo do perfume doce. Não quero falar sobre o medo que estou sentindo. Hoje é um dia estrepado. Hoje é um dia jazz. Não quero falar sobre o acúmulo de pendências. Não quero falar sobre o tempo. Hoje é um dia sem pressa. Não quero falar sobre minhas necessidades supérfluas. Não quero falar sobre os OVNIs. Hoje é um dia vazio. Não quero falar sobre o assunto do momento. Não quero falar sobre a lua que desapareceu. Não quero falar sobre os nossos lugares. Não quero falar sobre os meus não-lugares. Hoje é um dia sem mim. Não quero falar sobre a sua opinião. Não quero falar sobre a música que ouvi de manhã. Hoje é um dia mudo. Não quero falar sobre os apitos e zumbidos que ouvi. Não quero falar sobre os bons dias e boas noites cordiais. Hoje é um dia sem luz. Não quero falar sobre os moradores de rua comendo lixo. Não quero falar sobre todas as moedas no bolso da frente. Não quero falar sobre as coisas que perdi. Não quero falar sobre as coisas que ganhei. Não quero falar sobre as lágrimas que vieram do nada. Não quero falar sobre a minha insignificância. Não quero falar sobre os anônimos no meu caminho. Não quero falar sobre a cor azul. Não quero falar sobre meu riso louco de nervoso. Não quero falar sobre o meu câncer. Hoje é um dia. Amanhã será outro. Vamos marcar uma cervejinha para colocar o papo em dia.
13.2.18
Um dia antes da Quaresma
Eu me perdi de mim mesmo.
Venho colocando todas as coisas que me acontecem num pequeno armário cheio de gavetas. As pressões profissionais, as reclamações dos outros, as chateações, os rápidos momentos felizes, as longas tristezas, a gigante solidão que ocupa o mesmo espaço da grande melancolia. Não consigo mais viver o presente sempre despercebido e quando olho para o relógio já tenho que dormir que para acordar novamente e voltar a encher as gavetas loucamente. A pressa de dias curtos tirou o foco dos meus momentos. De mim mesmo. Já não existo mais para mim. Ou sinto isso. Vivo pela consciência automatizada. Sou levado por um rio violento até um penhasco. Sempre senti o penhasco, mas nunca o avistei. Agora sinto ele cada vez mais perto. Preciso de uma ponte, um suporte, uma boia salva-vidas para agarrar e respirar. Preciso de tempo para respirar. Preciso de tempo para mim mesmo. Preciso voltar ao que eu era. E o que eu era?
Preciso me reencontrar comigo mesmo.
Eu vivia o presente. Aproveitava os momentos (os bons e os ruins). Não precisava empilhar nada em armários e gavetas. Hoje eu não sou mais do que uma percepção. Uma percepção vazia. Passo despercebido enquanto o dia termina e a noite começa num contínuo viciante. E quando tudo se acumula, as gavetas estouram e me soterram em pensamentos destrutivos. O peso de tudo que foi guardado e acumulado nos últimos tempos me pressionam, mas força para reerguer eu não tenho. Encaro todo esse peso com uma feição assustadora. Estou realmente assustado. Quando foi que eu deixei de existir para mim mesmo?
Antes na minha caverna eu me sentia confortável com meus monstros e demônios. Eu os conhecia bem. Sabia nomea-los se preciso. Tratava-os bem. Fazíamos companhia uns aos outros. A caverna era amigável. Era minha morada.
Hoje quando consigo às vezes entrar nela, já desabo cansado, torturado por pensamentos cotidianos que martelam minha uma consciência até fragmentá-la em pedacinhos insignificantes que eu junto com as mãos e deixo numa gaveta. E as marteladas se repetem todas as noites.
Todas as noites. Todas as noites. Todas as noites. Todas as noites. Todas as noites. Todas as noites. Todas as noites. Todas as noites. Todas as noites.
Uma tragédia recente conseguiu me desfocar deste trabalho automático de desmantelar a minha consciência diariamente.
Uma vida jovem se foi para sempre. Uma alegria desapareceu. E eu me senti mais incompreendido do que antes. Ou melhor, me atentei a uma nova incompreensão.
A incompreensão da injustiça da morte. Ele se foi jovem e disposto e eu continuo vivo desperdiçando o que me resta com um passo mais próximo a inexistência. Apressando esse processo com vícios e maneirismos ridículos.
De um lado estou lotando gavetas e armários com fatores externos que tiram a minha atenção de mim mesmo e do outro lado castigo minha própria morada com toxinas e repelentes sociais. Só há espaço para monstros e demônios que me assustam: o monstro do ódio a mim mesmo, o demônio da auto rejeição, o monstro da indisposição pessoal, o demônio da depressão, a morte do ego.
A correnteza violenta do rio que me afluia ao nada hoje se transformou em longas e pegajosas sombras. A escuridão me asfixia e eu sinto a pressão negativa dentro da minha cabeça. Meus ouvidos ficam tapados e se contraem com as batidas do meu coração, meu pulso enfraquecendo, minha saliva secando, minha visão turvando. Os tímpanos se fecham. É a resposta do meu corpo para não querer mais ouvir essa merda toda. A infecção consome, as manchas vermelhas aparecem. Tudo quer sair de mim, mas a minha mente trancafia os armários e gavetas lotados de incompreensão. Meu corpo começa a expurgar de qualquer maneira. A natureza é divina, a biologia esperta. Uma auto sobrevivência é acionada na central de controle. A lombar se trava e a imobilidade vem. O dia pode até amanhecer, o sol pode até iluminar o meu quarto, mas a minha mente é só escuridão e desespero. Seria tão lindo e mais fácil se eu pudesse sonhar para sempre. Um mundo de sonhos somente para mim. Aceito até mesmo os sonhos obscuros a uma realidade intragável.
Minha auto-identidade não está morta por completo. Mas um processo revitalizante será necessário para eu me reencontrar na perdição de tantos pensamentos malditos acumulados.
O sentido de unidade se perdeu. Agora é tudo quantitativo.
Os espíritos estão atrás de qualquer luz durante a quaresma.
Venho colocando todas as coisas que me acontecem num pequeno armário cheio de gavetas. As pressões profissionais, as reclamações dos outros, as chateações, os rápidos momentos felizes, as longas tristezas, a gigante solidão que ocupa o mesmo espaço da grande melancolia. Não consigo mais viver o presente sempre despercebido e quando olho para o relógio já tenho que dormir que para acordar novamente e voltar a encher as gavetas loucamente. A pressa de dias curtos tirou o foco dos meus momentos. De mim mesmo. Já não existo mais para mim. Ou sinto isso. Vivo pela consciência automatizada. Sou levado por um rio violento até um penhasco. Sempre senti o penhasco, mas nunca o avistei. Agora sinto ele cada vez mais perto. Preciso de uma ponte, um suporte, uma boia salva-vidas para agarrar e respirar. Preciso de tempo para respirar. Preciso de tempo para mim mesmo. Preciso voltar ao que eu era. E o que eu era?
Preciso me reencontrar comigo mesmo.
Eu vivia o presente. Aproveitava os momentos (os bons e os ruins). Não precisava empilhar nada em armários e gavetas. Hoje eu não sou mais do que uma percepção. Uma percepção vazia. Passo despercebido enquanto o dia termina e a noite começa num contínuo viciante. E quando tudo se acumula, as gavetas estouram e me soterram em pensamentos destrutivos. O peso de tudo que foi guardado e acumulado nos últimos tempos me pressionam, mas força para reerguer eu não tenho. Encaro todo esse peso com uma feição assustadora. Estou realmente assustado. Quando foi que eu deixei de existir para mim mesmo?
Antes na minha caverna eu me sentia confortável com meus monstros e demônios. Eu os conhecia bem. Sabia nomea-los se preciso. Tratava-os bem. Fazíamos companhia uns aos outros. A caverna era amigável. Era minha morada.
Hoje quando consigo às vezes entrar nela, já desabo cansado, torturado por pensamentos cotidianos que martelam minha uma consciência até fragmentá-la em pedacinhos insignificantes que eu junto com as mãos e deixo numa gaveta. E as marteladas se repetem todas as noites.
Todas as noites. Todas as noites. Todas as noites. Todas as noites. Todas as noites. Todas as noites. Todas as noites. Todas as noites. Todas as noites.
Uma tragédia recente conseguiu me desfocar deste trabalho automático de desmantelar a minha consciência diariamente.
Uma vida jovem se foi para sempre. Uma alegria desapareceu. E eu me senti mais incompreendido do que antes. Ou melhor, me atentei a uma nova incompreensão.
A incompreensão da injustiça da morte. Ele se foi jovem e disposto e eu continuo vivo desperdiçando o que me resta com um passo mais próximo a inexistência. Apressando esse processo com vícios e maneirismos ridículos.
De um lado estou lotando gavetas e armários com fatores externos que tiram a minha atenção de mim mesmo e do outro lado castigo minha própria morada com toxinas e repelentes sociais. Só há espaço para monstros e demônios que me assustam: o monstro do ódio a mim mesmo, o demônio da auto rejeição, o monstro da indisposição pessoal, o demônio da depressão, a morte do ego.
A correnteza violenta do rio que me afluia ao nada hoje se transformou em longas e pegajosas sombras. A escuridão me asfixia e eu sinto a pressão negativa dentro da minha cabeça. Meus ouvidos ficam tapados e se contraem com as batidas do meu coração, meu pulso enfraquecendo, minha saliva secando, minha visão turvando. Os tímpanos se fecham. É a resposta do meu corpo para não querer mais ouvir essa merda toda. A infecção consome, as manchas vermelhas aparecem. Tudo quer sair de mim, mas a minha mente trancafia os armários e gavetas lotados de incompreensão. Meu corpo começa a expurgar de qualquer maneira. A natureza é divina, a biologia esperta. Uma auto sobrevivência é acionada na central de controle. A lombar se trava e a imobilidade vem. O dia pode até amanhecer, o sol pode até iluminar o meu quarto, mas a minha mente é só escuridão e desespero. Seria tão lindo e mais fácil se eu pudesse sonhar para sempre. Um mundo de sonhos somente para mim. Aceito até mesmo os sonhos obscuros a uma realidade intragável.
Minha auto-identidade não está morta por completo. Mas um processo revitalizante será necessário para eu me reencontrar na perdição de tantos pensamentos malditos acumulados.
O sentido de unidade se perdeu. Agora é tudo quantitativo.
Os espíritos estão atrás de qualquer luz durante a quaresma.
31.12.17
Season Finale XI
Anteriormente em Season Finale...
Lembro que na temporada anterior eu clamei pelo inédito. Por algo que nunca tinha visto antes. E fui bem recompensado.
Visitei lugares inesperados e outros que já esperava há muito tempo. E foi tão familiar.
Pela primeira vez fiquei sozinho de verdade. Sou um ser solitário, mas sozinho foi a primeira vez. O que o futuro me reserva não foi do meu agrado. O que eu faria para mudar o que me espera?
Nada o que pode ser mudado, mas muito o que pode acontecer. Sou absolutamente um iniciante. Percebi isso nesta temporada ao me deparar com o inédito que sempre pedi aos céus.
Em sonhos eu sou levado ao reconforto. Tudo é do meu agrado, tudo é uma novidade e caso eu tenha algum problema ou os sonhos se transformem em pesadelos, eu acordo e está tudo certo.
Ou acordo para a realidade. A realidade sem controle. A realidade desigual e assustadora. A realidade da rotina. A realidade de elevador sem fim, que vai de andar em andar sem nada para acontecer. Subindo, descendo, qual a diferença?
Vou sonhar um dia que somente existirá minha imaginação. A única condição real é estar sozinho. Ontem me fiz de ridículo, mas isso não me afeta hoje, e pedi perdão. Esta tarde, embora ainda nada realmente aconteceu, fui andar por aí e fiz retratos anônimos. Finalmente veio a noite e acendi a luz. Finalmente, um dia de calma inventada!
Eu já ouvi esse som antes. Esta voz. Eu nunca a ouvi na minha casa. Nunca a escutei no meu quarto. Esta voz pertence a lá fora. Nas ruas. A voz me carrega para fora. A voz sem um rosto. Somente a voz. E ela penetra em meus ouvidos. Descendo até minha garganta. Eu a sinto enfraquecendo meu estômago. E então, o silêncio. E nada. E a escuridão. Eu sinto o chão nas minhas costas. Os fantasmas de março ainda estão aqui. E amanhã tudo se repetirá. Vamos todos torcer para que tudo isso termine logo.
Seria estes meus comentários mais lúcidos do que os outros?
Só o distante passado dirá quando o futuro do presente chegar. Quando o invisível se tornar visível. Quando esquecermos o passado sombrio, quando chegarmos a paz sublime. Para uma pessoa traumatizada. Há inúmeras pequenas coisas queimando dentro de mim. Se retorcendo para chegar à superfície. Um novo mundo está chamando um novo homem.
Continua...
Lembro que na temporada anterior eu clamei pelo inédito. Por algo que nunca tinha visto antes. E fui bem recompensado.
Visitei lugares inesperados e outros que já esperava há muito tempo. E foi tão familiar.
Pela primeira vez fiquei sozinho de verdade. Sou um ser solitário, mas sozinho foi a primeira vez. O que o futuro me reserva não foi do meu agrado. O que eu faria para mudar o que me espera?
Nada o que pode ser mudado, mas muito o que pode acontecer. Sou absolutamente um iniciante. Percebi isso nesta temporada ao me deparar com o inédito que sempre pedi aos céus.
Em sonhos eu sou levado ao reconforto. Tudo é do meu agrado, tudo é uma novidade e caso eu tenha algum problema ou os sonhos se transformem em pesadelos, eu acordo e está tudo certo.
Ou acordo para a realidade. A realidade sem controle. A realidade desigual e assustadora. A realidade da rotina. A realidade de elevador sem fim, que vai de andar em andar sem nada para acontecer. Subindo, descendo, qual a diferença?
Vou sonhar um dia que somente existirá minha imaginação. A única condição real é estar sozinho. Ontem me fiz de ridículo, mas isso não me afeta hoje, e pedi perdão. Esta tarde, embora ainda nada realmente aconteceu, fui andar por aí e fiz retratos anônimos. Finalmente veio a noite e acendi a luz. Finalmente, um dia de calma inventada!
Eu já ouvi esse som antes. Esta voz. Eu nunca a ouvi na minha casa. Nunca a escutei no meu quarto. Esta voz pertence a lá fora. Nas ruas. A voz me carrega para fora. A voz sem um rosto. Somente a voz. E ela penetra em meus ouvidos. Descendo até minha garganta. Eu a sinto enfraquecendo meu estômago. E então, o silêncio. E nada. E a escuridão. Eu sinto o chão nas minhas costas. Os fantasmas de março ainda estão aqui. E amanhã tudo se repetirá. Vamos todos torcer para que tudo isso termine logo.
Seria estes meus comentários mais lúcidos do que os outros?
Só o distante passado dirá quando o futuro do presente chegar. Quando o invisível se tornar visível. Quando esquecermos o passado sombrio, quando chegarmos a paz sublime. Para uma pessoa traumatizada. Há inúmeras pequenas coisas queimando dentro de mim. Se retorcendo para chegar à superfície. Um novo mundo está chamando um novo homem.
Continua...
1.8.17
As coisas que eu ouvi, revisitadas
Ser sempre sendo azedo e seco.
Fingir sorrisos cordiais e simpatia.
Dizer não dizendo cabeça baixa quase oca.
Ouvir engolir passar outro dia de novo.
Repete a fora sem razão palavras que os outros querem ouvir.
Concordar sem concordar só pra ver o dia passar.
Deixar de lutar batalhas de ego para não desgastar.
Sentir a razão de ter evitado um problema que tinha solução.
Olhar sem olhar passando em branco.
Anotar na cabeça argumentos futuros.
Não cobrar pelo que te cobram, não dever pelo dever que te pedem.
Poder sem escolher dizer algo.
Não desfazer o que foi dito.
Ser o pequeno porque não há espaço para muitos grandes.
Ignorar.
Sorrir.
Acenar.
Cuidado.
Ao consertar algo quebrado.
Talvez você pode ser cortado.
Pelos pedaços estraçalhados.
Olhe para suas mãos.
Estão cobertas de cicatrizes.
Fingir sorrisos cordiais e simpatia.
Dizer não dizendo cabeça baixa quase oca.
Ouvir engolir passar outro dia de novo.
Repete a fora sem razão palavras que os outros querem ouvir.
Concordar sem concordar só pra ver o dia passar.
Deixar de lutar batalhas de ego para não desgastar.
Sentir a razão de ter evitado um problema que tinha solução.
Olhar sem olhar passando em branco.
Anotar na cabeça argumentos futuros.
Não cobrar pelo que te cobram, não dever pelo dever que te pedem.
Poder sem escolher dizer algo.
Não desfazer o que foi dito.
Ser o pequeno porque não há espaço para muitos grandes.
Ignorar.
Sorrir.
Acenar.
Cuidado.
Ao consertar algo quebrado.
Talvez você pode ser cortado.
Pelos pedaços estraçalhados.
Olhe para suas mãos.
Estão cobertas de cicatrizes.
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