Ah, se eu fosse um feiticeiro
Tomaria a sua rejeição
E transformaria em desejo certeiro
Num vendaval de afeição
Ah, se eu fosse um milagreiro
Tomaria o seu suspiro
Transformava-o em fogareiro
Incendiando meu respiro
Ah, se eu fosse um mago
Tomaria o seu pálido olhar
E com a força de um relâmpago
Faria da noite um amanhecer a brilhar
Ah, se eu fosse um sonhador
Tomaria o seu não
Rogaria por sim
Num suplício encantador
Ah, se eu fosse um imortal
Tomaria o seu desapego
Ninharia maternal
Num eterno aconchego
Ah, se eu fosse o seu desejo
Permearia o seu corpo
Desbravando em solfejo
No ritmo do seu contorno
Ah, se eu fosse a natureza
Tomaria a sua semente
Tiraria sua incerteza
Para florir eternamente
Ah, se eu fosse experiente
Buscaria em brincadeira
Por seu amor inconsciente
Porque não sei te amar de outra maneira.
Só o empirismo e a necessidade salvam! Adaptação. Sempre.
29.4.19
27.3.19
Dois de Paus
Alguma coisa aconteceu e eu estou de ponta cabeça. Só percebi quando aconteceu. Um solavanco me deixou de ponta cabeça. Flutuando no meu próprio espaço dentro dos meus pensamentos. Uma inércia irônica que faz meu coração acelerar e sentir um frio na barriga. Estou estático por fora, porém na velocidade da luz por dentro. Uma divisão interna, um duelo entre o pessimismo que tanto já venceu e o otimismo, novato. Amaldiçoado se vencer, condenado se perder. O fantasma da insegurança recém falecida volta para uma visita particular. Fria, suas mãos passeiam no meu corpo. Fecho os olhos e tento esvaziar meus pensamentos. A mão fria da insegurança já está no meu peito. Não há uma distância segura entre meus medos e o sistema de toque. Minha cabeça volta a ficar enevoada e eu me perco em direções e decisões enroladas que tomei e as que tomarei. Pare. Observe tudo. "Esteja alerta para a regra dos três. O que você dá retornará para você. Essa lição você tem que aprender. Você só ganha, o que você merece". Testemunhe as energias em movimento. A clareza virá lentamente. O processo de decisão terminará e a escolha será clara. O que perderei? O que eu queria? Longe demais para ouvir a resposta. Silêncio.
"Esteja alerta para a regra dos três. O que você dá retornará para você. Essa lição você tem que aprender. Você só ganha, o que você merece". A Lei do Triplo Retorno Wicca
"Esteja alerta para a regra dos três. O que você dá retornará para você. Essa lição você tem que aprender. Você só ganha, o que você merece". A Lei do Triplo Retorno Wicca
19.3.19
Ogum me pediu fogo emprestado
Nos últimos cinco meses meu coração tem pedido atenção. No começo, ele acelerava e cessava a minha respiração. Eu suava e enxergava só pânico, desespero e morte. Duas, três vezes seguidas. Noites acordadas. Peito dolorido. Pernas inquietas. Só voltava aos batimentos normais com medicamentos fortes. Mas o que é normal para o coração mesmo?
Depois a ansiedade foi controlada por ansiolíticos. Estou medicado. Junto veio a sugestão de exercícios físicos para equilibrar o corpo, o coração e cérebro. Ok, vamos lá. Mas antes, um check up. Sempre evitei check ups e exames com medo dos resultados. Será que eu tenho algo? O que fazer se tiver? Daria tempo para viver como eu quero?
Bora lá. Sangue completo, ecos, ergométricos. Bum, bum, bum. Cada vez mais forte, mas agora por outro motivo.
No período durante os exames, o coração demandou atenção novamente. Virou o centro do meu corpo. Ele assim queimava, esfriava, pulsava harmoniosamente. Paixão. Violenta. Quase cega. Me derrubou geral. A única defesa foi a entrega. Estava me sentindo ótimo. Tive que ouvi-lo pela primeira vez por completo em 15 anos. E veio o espírito. E meu corpo reconheceu a paixão. Agora a paixão é por mim mesmo. Valorizo quem eu sou, me enxergo como amigos íntimos me enxergam. Aceitação verdadeira. Amores à primeira vista.
Corpo, mente e espiritualidades sãs. E coração também. Hoje busquei os exames e está tudo bem. "Continue assim", a doutora encorajou.
Me sinto protegido. Por mim mesmo e pelas minhas paixões. E pelo meu coração.
A vida é um caminho, e seres, sendo partes da vida, são eles mesmos vias deste caminho. Se reconhecemos esse fato e o aceitamos, estamos aptos, independente das vias e rotas, a conhecermos a paz e a apreciá-la. Mas para chegar a esse fim, que é apenas um começo (pois ainda não começamos a viver!), nós temos que aprender a doutrina da aceitação, isto é, da rendição incondicional, que é o amor. Próprio e pelos outros.
Descendo a rua, Ogum me parou um instante para pedir fogo, acendeu seu cigarro, me reverenciou, me olhou penetrante e seguiu seu caminho. Segui o meu. Numa nova via.
Depois a ansiedade foi controlada por ansiolíticos. Estou medicado. Junto veio a sugestão de exercícios físicos para equilibrar o corpo, o coração e cérebro. Ok, vamos lá. Mas antes, um check up. Sempre evitei check ups e exames com medo dos resultados. Será que eu tenho algo? O que fazer se tiver? Daria tempo para viver como eu quero?
Bora lá. Sangue completo, ecos, ergométricos. Bum, bum, bum. Cada vez mais forte, mas agora por outro motivo.
No período durante os exames, o coração demandou atenção novamente. Virou o centro do meu corpo. Ele assim queimava, esfriava, pulsava harmoniosamente. Paixão. Violenta. Quase cega. Me derrubou geral. A única defesa foi a entrega. Estava me sentindo ótimo. Tive que ouvi-lo pela primeira vez por completo em 15 anos. E veio o espírito. E meu corpo reconheceu a paixão. Agora a paixão é por mim mesmo. Valorizo quem eu sou, me enxergo como amigos íntimos me enxergam. Aceitação verdadeira. Amores à primeira vista.
Corpo, mente e espiritualidades sãs. E coração também. Hoje busquei os exames e está tudo bem. "Continue assim", a doutora encorajou.
Me sinto protegido. Por mim mesmo e pelas minhas paixões. E pelo meu coração.
A vida é um caminho, e seres, sendo partes da vida, são eles mesmos vias deste caminho. Se reconhecemos esse fato e o aceitamos, estamos aptos, independente das vias e rotas, a conhecermos a paz e a apreciá-la. Mas para chegar a esse fim, que é apenas um começo (pois ainda não começamos a viver!), nós temos que aprender a doutrina da aceitação, isto é, da rendição incondicional, que é o amor. Próprio e pelos outros.
Descendo a rua, Ogum me parou um instante para pedir fogo, acendeu seu cigarro, me reverenciou, me olhou penetrante e seguiu seu caminho. Segui o meu. Numa nova via.
12.3.19
Você está na minha visão periférica
Você está na minha visão periférica. Minha concentração abalada. Acendo um cigarro atrás do outro mesmo não querendo fumar. Bebo um gin para relaxar minha mente. Mas a paixão é mais forte. Estou doente de paixão. Daria tudo para estar ao seu lado, ao seu corpo, ao seu cheiro, ao seu gosto, ao seu sorriso. Daria tudo para me ver nos seus olhos de mel. Tão cheios de luz que iluminou minha existência apagada. Eu me percebi. Eu sou. Eu existo. Eu adoro quando você me faz cócegas, a coisa que eu mais odeio. Você ressalta meus defeitos para transformá-los em qualidades.
Tento não pensar duas vezes, não quero expectativas, quero decisões, se ele existe, quero seu amor. Eu estou no lado escuro da estrada e você ali, longe e iluminada. E eu parado, nuvens chorando, estrelas sumindo, e você ali, como a lua, longe e praticamente inacessível. A nossa intensidade me devorou como um lobo selvagem.
Eu penso em você e imagino o quanto de realidade é realmente real. E sim. Você existe. Há alguns quilômetros de distância você está lá. E eu estou aqui. E você também. Na minha visão periférica.
31.12.18
Season Finale XII
Muitas vezes um passo para a frente não pode ser desfeito. Muitas vezes um passo para a frente significa seis passos para trás. E aí, como você dorme? E aí, como você vive? Como todo mundo vive? Essa é a sombra de pensamento que me acompanha. Como todos podem estar sorrindo? Eles não estão vendo ou vivendo o que estão na frente delas? E pernas não param quietas, e os pensamentos voam e o ar cessa e o peito dói. Eu realmente só queria andar meio desligado no meio da multidão. Dopado. Ou desligado sozinho no meu canto. E desta vez eu consegui. Mas eu não estou realmente sozinho. Posso estar, mas não estou. É complicado. Eu preciso tirar um retrato da minha cabeça. Analisar o que tem lá dentro. Pelo menos uma única tentativa antes de dar adeus a tudo que eu conheço. Como eu durmo? Com calor. Com frio. Com ansiedade. Com sede. Durmo lembrando dos momentos de embriaguez solitária em lugares desconhecidos. Durmo com vontade de repetir tudo isso e para sempre. Durmo ansioso querendo chegar logo aos sonhos e aos pesadelos. Durmo para chegar neste lugar descontrolado que é a minha imaginação. Meu "kumomi" dos sonhos aleatórios. Meus sonhos invertidos, onde o que está em cima, está lá embaixo e vice-versa. Porque o chão é azul e ele me faz rir. Espero conseguir o que preciso.
28.10.18
Eu não quero falar sobre isso hoje
Eu não quero falar sobre isso hoje. Hoje é um dia adorável. Não quero falar sobre o punhal fatal que arranquei do meu peito. Não quero falar sobre meu coração saliente. Hoje é um dia incomum. Não quero falar sobre os ratos que perambulam meu rosto inchado e inocente. Não quero falar sobre as ameaças desbravaras em cima de mim. Hoje é um dia molhado. Não quero falar sobre a minha falta de ar. Não quero falar sobre a minha saudade de afeto. Hoje é um dia curto. Não quero falar sobre as toxinas que ingeri à tarde. Não quero falar sobre o enjoo do perfume doce. Não quero falar sobre o medo que estou sentindo. Hoje é um dia estrepado. Hoje é um dia jazz. Não quero falar sobre o acúmulo de pendências. Não quero falar sobre o tempo. Hoje é um dia sem pressa. Não quero falar sobre minhas necessidades supérfluas. Não quero falar sobre os OVNIs. Hoje é um dia vazio. Não quero falar sobre o assunto do momento. Não quero falar sobre a lua que desapareceu. Não quero falar sobre os nossos lugares. Não quero falar sobre os meus não-lugares. Hoje é um dia sem mim. Não quero falar sobre a sua opinião. Não quero falar sobre a música que ouvi de manhã. Hoje é um dia mudo. Não quero falar sobre os apitos e zumbidos que ouvi. Não quero falar sobre os bons dias e boas noites cordiais. Hoje é um dia sem luz. Não quero falar sobre os moradores de rua comendo lixo. Não quero falar sobre todas as moedas no bolso da frente. Não quero falar sobre as coisas que perdi. Não quero falar sobre as coisas que ganhei. Não quero falar sobre as lágrimas que vieram do nada. Não quero falar sobre a minha insignificância. Não quero falar sobre os anônimos no meu caminho. Não quero falar sobre a cor azul. Não quero falar sobre meu riso louco de nervoso. Não quero falar sobre o meu câncer. Hoje é um dia. Amanhã será outro. Vamos marcar uma cervejinha para colocar o papo em dia.
Assinar:
Postagens (Atom)
Anteriormente
-
►
2004
(60)
- ► março 2004 (4)
- ► abril 2004 (8)
- ► junho 2004 (5)
- ► julho 2004 (4)
- ► agosto 2004 (5)
- ► setembro 2004 (4)
- ► outubro 2004 (4)
- ► novembro 2004 (10)
- ► dezembro 2004 (9)
-
►
2005
(50)
- ► janeiro 2005 (3)
- ► fevereiro 2005 (8)
- ► março 2005 (4)
- ► abril 2005 (5)
- ► junho 2005 (4)
- ► julho 2005 (3)
- ► agosto 2005 (4)
- ► setembro 2005 (3)
- ► outubro 2005 (3)
- ► novembro 2005 (2)
- ► dezembro 2005 (5)
-
►
2006
(40)
- ► janeiro 2006 (3)
- ► fevereiro 2006 (3)
- ► março 2006 (5)
- ► abril 2006 (2)
- ► junho 2006 (3)
- ► julho 2006 (3)
- ► agosto 2006 (4)
- ► setembro 2006 (5)
- ► outubro 2006 (2)
- ► novembro 2006 (4)
- ► dezembro 2006 (2)
-
►
2007
(45)
- ► janeiro 2007 (4)
- ► fevereiro 2007 (6)
- ► março 2007 (2)
- ► abril 2007 (4)
- ► junho 2007 (3)
- ► julho 2007 (4)
- ► agosto 2007 (6)
- ► setembro 2007 (3)
- ► outubro 2007 (1)
- ► novembro 2007 (3)
- ► dezembro 2007 (2)
-
►
2008
(36)
- ► janeiro 2008 (3)
- ► fevereiro 2008 (3)
- ► março 2008 (7)
- ► abril 2008 (4)
- ► junho 2008 (3)
- ► julho 2008 (3)
- ► agosto 2008 (2)
- ► setembro 2008 (2)
- ► novembro 2008 (2)
- ► dezembro 2008 (3)
-
►
2009
(31)
- ► janeiro 2009 (6)
- ► fevereiro 2009 (8)
- ► março 2009 (2)
- ► abril 2009 (3)
- ► junho 2009 (1)
- ► julho 2009 (1)
- ► agosto 2009 (2)
- ► setembro 2009 (1)
- ► novembro 2009 (4)
- ► dezembro 2009 (2)
-
►
2010
(12)
- ► janeiro 2010 (1)
- ► fevereiro 2010 (2)
- ► março 2010 (3)
- ► abril 2010 (1)
- ► junho 2010 (1)
- ► julho 2010 (2)
- ► novembro 2010 (1)
- ► dezembro 2010 (1)
-
►
2011
(13)
- ► janeiro 2011 (1)
- ► fevereiro 2011 (3)
- ► março 2011 (2)
- ► junho 2011 (1)
- ► julho 2011 (1)
- ► novembro 2011 (1)
- ► dezembro 2011 (2)
-
►
2012
(23)
- ► janeiro 2012 (2)
- ► fevereiro 2012 (2)
- ► março 2012 (2)
- ► junho 2012 (2)
- ► julho 2012 (1)
- ► agosto 2012 (3)
- ► setembro 2012 (3)
- ► outubro 2012 (1)
- ► novembro 2012 (2)
- ► dezembro 2012 (2)
-
►
2013
(24)
- ► janeiro 2013 (1)
- ► março 2013 (5)
- ► abril 2013 (4)
- ► junho 2013 (4)
- ► agosto 2013 (1)
- ► setembro 2013 (1)
- ► novembro 2013 (6)
- ► dezembro 2013 (2)
-
►
2014
(12)
- ► janeiro 2014 (2)
- ► fevereiro 2014 (2)
- ► março 2014 (2)
- ► abril 2014 (1)
- ► junho 2014 (3)
- ► julho 2014 (1)
- ► dezembro 2014 (1)
-
►
2015
(3)
- ► janeiro 2015 (1)
- ► dezembro 2015 (1)
-
►
2016
(5)
- ► janeiro 2016 (1)
- ► setembro 2016 (2)
- ► dezembro 2016 (1)
-
►
2017
(3)
- ► julho 2017 (1)
- ► agosto 2017 (1)
- ► dezembro 2017 (1)
-
►
2018
(3)
- ► fevereiro 2018 (1)
- ► outubro 2018 (1)
- ► dezembro 2018 (1)
-
►
2019
(12)
- ► março 2019 (3)
- ► abril 2019 (1)
- ► junho 2019 (2)
- ► agosto 2019 (1)
- ► dezembro 2019 (2)
-
►
2020
(1)
- ► dezembro 2020 (1)
-
►
2021
(1)
- ► setembro 2021 (1)
-
►
2022
(1)
- ► julho 2022 (1)
-
►
2023
(2)
- ► junho 2023 (1)
- ► agosto 2023 (1)
-
►
2024
(1)
- ► fevereiro 2024 (1)
-
▼
2026
(3)
- ► março 2026 (2)
- ▼ abril 2026 (1)