17.5.16

Present Tense

Eu me sinto tão em confronto comigo mesmo ultimamente. Eu acho que esta é a razão pela qual eu me sinto tão distante do mundo a minha volta. Parece que estou sentado numa sala na minha frente.

Em mim mesmo estou perdido.

Eu não quero falar.

às vezes eu não quero falar
não tenho nada a dizer.

às vezes eu não quero sair
de cima da minha cama, do meu sono.

às vezes eu só quero
tranquilamente deitar um

Eu não gosto de olhar no espelho.

Só.

No espelho é muito solitário
Mas eu preferiria que nós sozinhos
acreditassem em positivo negativo.
Mas só acreditam em 1 + 1 = 2.

ich bin das einzig wahre

você conta os dias para liberdade. A extensão que se alastra de concreto e fumaça oferece uma expansão infinita de decadência. É opressivo. é alienante. é ocioso, ameaçador, sádico e eu quero tudo. Em mim mesmo me perco.

12.1.16

Pedaços e pedaços

Não fui um poeta morto
Não fui um binóculo cego
Um olho é eclipse solar
Um olho é eclipse
Gostaria de não trazer nada
De não trocar nada
Gostaria do toque silencioso
troca pálida


A Juventude é muito fina
Uma brisa que sopra
e volta
no caixão obeso

Sua vontade
Estava na cama
Saiu da cama

Seja o sol como a lua
ou a lua como eu.

31.12.15

Season Finale IX

Anteriormente em Season Finale...

E preparado continuei. Preparado para o que, afinal?

Não sei quantas foram as vezes que passei por esse caminho. A rua antes da ponte. Sem faróis para atrasar o percurso e chegar em casa. Penso que tudo é efêmero. Penso em nada e penso no tudo. Penso que tudo significa nada para mim. Me lembro de explicar o caminho para o motorista. Repeti para vários taxistas para entrar na segunda à esquerda, subir e entrar à direita, virar à esquerda, direita e lá na frente pegar a esquerda. Entre a direita e pode ir reto. Na frente daquele mesmo carro à direita pode parar. Um pouco mais pra frente. Naquela placa de "proibido estacionar". O motorista sempre sou eu, mesmo sem ter o volante nas minhas mãos, a direção eu tenho.

Entro e a luz acesa me esperar como sempre. De novo. A mesma luz que não deixa o passarinho engaiolado dormir. A lâmpada que aquece seu pequeno corpo é a mesma que o deixa irritado.

O barulho da porta pesada abrindo não acorda ninguém. Entro e não sei quantas centenas de vezes o vazio me aguardava. Silêncio. Silêncio e sede. Dou a volta, pulo o sofá, acendo mais luzes e vou ao banheiro tirar as lentes. Meus óculos pesados e sujos me esperam também. Entro na caverna, meu mundo. Bebo da minha garrafa d'água. Tiro a roupa da rua e visto minhas roupas claras e confortáveis.

Quantas foram as centenas de vezes que repeti isso? E até quando irei repetir? Talvez mude o local, mas a companhia será a mesma. Eu. Um. Um é o número mais solitário que já existiu. Assim como a lua que não é só bonita, mas muito distante. Tudo que eu vejo retorna para mim de qualquer jeito. E se eu fugir hoje. Do que fugirei amanhã? A espera do que vem calmo e manso. Do fim. Por isso o susto é grande quando ele aparece. Ele segue seu próprio ritmo vivendo na nossa sombra.

Enquanto isso vivo essa noção que mistura verdades e auto-ilusões convenientes. Como uma propaganda. Viver uma banalidade que leva a nenhum significado maior. Algo especial submetido ao genérico. Agora a questão é se há uma estrada que leva para qualquer outro lugar... para qualquer horizonte perdido.

Eles nos disseram para focar no horizonte perdido. Mas nunca nos disseram o que o foco é. Só vejo distorções adiante - um sonho terrível? Não me pergunte por quê. Sei somente que toda esperança começa e termina com um futuro melhor.

Dependendo do problema, a tarefa a ser resolvida é para encontrar qualquer solução (encontrar uma simples solução é o suficiente). Quando encontrar a solução, uma ou mais variáveis são designadas como desconhecidas. Desconhecidas como o coração que do nada começa a bater lentamente a noite deixando minha mente à deriva e imaginando se o tempo se move em diferentes lados.

Somos todos produtos de nossas escolhas e perdas que fazemos. E como todos os produtos, estamos sempre vendendo algo. Seja uma aparência, um caminho, um amor, uma decisão, um ponto de vista, algo que nossas almas feridas e gastas precisam. E essas cicatrizes mais profundas são aquelas que não podemos ver. Nós conquistamos objetivos e mesmo assim nossa vida não parece do jeito que imaginávamos que seria. "Isso é tudo o que existe?" Sim. Pode ser a resposta no final. Nós nunca mudamos, só nos adaptamos, só flutuamos neste rio, neste mesmo caminho de sempre com novidades apáticas que aparecem para apaziguar o desespero: um emprego novo, mais dinheiro, novas amizades. Nós nunca mudamos, só nos adaptamos.

Nós só gostamos dos começos das coisas. Quando nos focamos no começo não precisamos considerar os finais: aqueles do passado e aqueles que ainda virão. Em vez disso, nós dedicamos nossa energia para um potencial futuro desconhecido.

E qual é a previsão para o futuro desconhecido? Não importa o quão fervorosamente você acredite, todo mundo tem que jogar junto... E "você não precisa de um meteorologista para saber qual direção o vento sopra".

Se você fugir hoje, do que fugirá amanhã? Levante-se e abra os olhos para as vidas que tivemos, as vidas que ainda vamos ter. Levante-se e encare um novo dia. Novas ideias. Levante-se e seja um novo você.

Continua...

26.5.15

Lua

Inatingível e evidente. Me preservo flutuando no alto enquanto você dá as costas para mim só para depois voltar na mesma posição - numa repetição jocosa e angustiante. Você não consegue me tocar e vice-versa. Nos fitamos sempre no escuro. E eu lá em cima: gracioso, vibrante, silencioso e tímido. Te conheço por inteiro, mas você só vê um lado da minha superfície - só o que eu deixo aparecer. As vezes consigo ver meu rosto triste refletido no seu corpo vivo. E nada posso fazer, já que não tenho olhos para fecha-los. Te encaro até o dia ir embora e voltar novamente para te aquecer. E eu só te esfrio. E eu só faço suas ondas ficarem loucas e irracionais e suas noites mais rápidas e quietas. Milhões de anos ao seu lado e nunca te tive. As teorias modernas e antigas dizem que nos separamos logo depois que tudo começou. Mas o mais impressionante de nossa existência é que você não existiria se eu não estivesse tão longe e se não fosse pela sua força que me atrai ao seu corpo ao mesmo tempo que me repele, eu já estaria bem mais longe. Num lugar sem luz, num vazio absoluto - e você também estaria vazio e sem vida. Somos jóias cheia de valor, mas não nos impulsionamos, apenas nos preservamos. Eu te amo porque nossos caminhos se cruzaram e mesmo longe, o nosso amor segue intocável e inatingível. Você é o grande amor da minha vida. Talvez por não consumi-lo, ele ainda existe e é preservado. É um "ter" sem possuir eterno.
Obrigado por me acolher, sinto que nossa história é longa. Espero um dia vencermos a inércia do espaço.

"Tome coragem para falar: do que não sabe, do que deseja e não quer e das suas agruras com seus outros."

13.1.15

O amor é só essa coisa moderna

Ele está sempre longe em outra cidade, ou até mesmo na academia do outro bairro ou na faculdade na Leste. Ele tenta escrever as vezes, mas sempre se distrai. Até aí qualquer um se distrairia devido tanto trabalho. Por isso ela insistiu que ele se obrigasse a isso, mesmo que demorasse um pouco para ele fazer, do jeito que ele faz as vezes. Ela amava quando ele ria e seus olhos ganhavam vida. Ela tinha suas mãos enfiadas em cachos de cabelo depois da festa. Ela não consegue esperar até Janeiro que vem. Talvez faça muito sol e depois muita chuva. Ela sentia uma mistura de medo, surtos de alegria e uma solene antecipação profunda. O amor é só essa coisa moderna.

31.12.14

Season Finale VIII

Anteriormente em Season Finale...

No ano retrasado me desencontrei. No ano passado fiquei comigo. E neste ano...

E no espelho encontrei algo que não esperava encontrar... Encontrei eu mesmo. Assustado, estarrecido, cansado. Não conseguia desviar do meu próprio olhar. Posso me ouvir preso atrás do espelho. Um doppelganger respirando pesadamente em fúria. Se fizer silêncio consegue ouvir o monstro respirar.

No começo fui levado ao encanto do olhar monstruoso. Queria ir de encontro a ele e deixar ser dominado. Tive noites extremas num mar de bebidas. Noites acordadas entre bares – tentar esquecer a pressão dos dias. Mas o monstro não queria dominar. Ele queria coexistir. Ele quer. Por que tudo é tão nebuloso?

Reinamos juntos neste ano. Como um Rei de Copas: emocionalmente endurecido, dores privadas, emocionalmente indisponível, perdido no amor (dos outros e no próprio), emocionalmente arrogante, excessivamente emocional.

Este Rei pode ter seus sentimentos tão difíceis que ele os esconde. Até dele mesmo. Melódico, é um antagonista. Uma paranoia sussurrando para mim; uma voz atrás da minha cabeça me dizendo que as coisas não vão funcionar, fazendo decisões dolorosas e egoístas. E eu somente encarava do outro lado do espelho. Sou o diretor observando o ensaio.

E a Roda da Fortuna e seus pentáculos nos lembra que mudanças são inevitáveis. Não importa como as coisas são agora, elas não vão ficar assim para sempre. Mais do que nunca, preciso me adaptar.

Não temos sempre o controle sobre o que a vida coloca no nosso caminho, mas podemos decidir como nós respondemos a isso. Precisamos ser flexíveis e adaptarmos, irmos com a correnteza. Seja ela o acaso ou o destino.

Como um malabarista, na vida precisamos as vezes manter mais de uma bola no ar. Nada parece certo e ficamos incapazes de imaginar melhores possibilidades para nosso futuro. A vida é muito estranha...

E cansamos de tudo e nos deitamos neste campo vazio para não fazer nada e esperar quando tudo for maravilhoso – festejar numa parada – uma bela desculpa para celebrar a bagunça que fizemos.

E eu posso sentir a diferença quando o dia começa, “este vai ser o ano em que venceremos” e começamos novamente, antes das lembranças das bagunças que fizemos.

Memórias se apagam e histórias podem mudar, mas são reais se vistas em fotografias. Vendo somente o que eu sinto. E parando o tempo das pessoas que não conheço. Deixando elas em preto e branco. Tristes, felizes, cansadas, sonhadoras, alegres. Se tivesse um som seria a batida de uma bateria. Meu coração é uma bateria, marcando o tempo com todo mundo.

Descobri que os desejos são fantasmas do passado. Desejos que precisam de muito para sobreviverem. Mas os meus morreram. E outros vão nascer.

Nascer nesta que é a minha arte de cair constantemente. E levantar (ou tentar pelo menos). E ficar quieto. E observar. Bom dia, boa tarde e boa noite do meu lado mais analógico (monstruoso). As coisas menos importantes são mais fáceis de serem ditas. Fácil como veio, fácil como foi. Ocasionando entre o orgânico e o mecânico, entre o ligado e o desligado, entre os parasitas e os acolhedores, ocasionando entre os rostos que nos importamos, entre danças inacabadas. E se elas não tem fim, torcemos para que tudo isso termine logo, pois pensar em algo diferente que eu não sei o que é, é cansativo. Se você acha que está indo bem, como pode ter tanta certeza? Não é difícil, apenas frágil. Em sua própria maneira estranha. Nunca sei da minha própria força - apenas carregado pelas pessoas ao meu redor. Não sei de onde vem, só sei que por um minuto me perdi. Misturo texturas, batidas, passado, presente e deixo o futuro incerto.

Sou banhado por uma luz azul. Uma penumbra índigo em cima de um palco. E os espectadores querem ouvir apenas uma única palavra. As vezes tudo que precisamos falar pode ser dito com apenas uma palavra. Ou as vezes precisamos de muita música. Retrogrado, lágrima, esquecer? Pontes, café, tremor, lembrança, prelúdio? E amanha você pode cantar no paraíso. Numa primavera sem flores, num outono sem folhas, num inverno sem chuvas, num verão sem o sol. E são adaptações. Fico surpreso em como o fogo transforma a nicotina em fumaça para que seja preenchida nos meus pulmões o que depois vai virar um câncer. E no final, não importa se você se queimar ou desaparecer. O importante é se transformar em algo. E eu preciso me transformar em algo que eu preciso.

Mas tudo está oculto nas razões. Mesmo se permanecer em silêncio é preciso ouvir a última chamada, mesmo que seja um grito ou um sussurro. Eu mesmo vou dizer, mesmo com medo de que tudo já tenha sido feito ou dito. Pois tudo que é externo não é nada mais do que um reflexo projetado pela máquina mental.

Só preciso do vento para soprar, do fogo para queimar, da água para lavar e da terra para assentar; com isso posso desaparecer por completo. Me sinto preparado.

Continua...

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