12.2.11

A Ilusão Viaja Comigo



As pessoas me questionam por que eu não dirijo. Por que dentro de uma grande metrópole, o que seria prático, seguro e conveniente eu não tenho um carro? Simplesmente digo que não tenho vontade de dirigir. Minto. Eles duvidam e logo começam a contar de como eles também já tiveram medo da direção e como conseguiram superar. Os falsos modestos até dizem que se eles que são eles conseguiram, por que eu que sou eu não conseguiria? Dou um riso sem graça. O medo não tenho. Motivos financeiros talvez me impeçam de ter um carro e até uma motocicleta, mas não me impedem de me tornar um motorista. Não dou essa resposta e sigo adiante. As pessoas não entenderiam meu principal motivo. A idéia de uma rotina por qualquer que fosse sempre me perseguiu. E ter uma ferramenta que te possibilita uma falsa idéia de liberdade me faz sentir-me descontrolado. Desagrada-me usar uma máquina tão poderosa, mesmo que seja um poder forjado e ilusório, para ir de uma prisão para outra. Gostaria de pegar uma estrada, ir para lugares que nunca estive, pisar em solos novos e de sentir o que a publicidade sempre apresentou: a sensação de liberdade, um ideal mágico de cruzar fronteiras na garupa de uma moto. A simplicidade de não estar no mesmo lugar sempre. Ir e voltar não me apetece. Quero apenas ir. Para qualquer lugar, para qualquer rua. O carro que não quero pilotar e a direção que não quero controlar apenas me distanciam da ilusão da liberdade. Mesmo com quilômetros rodados ainda estaria preso. Ainda seria eu mesmo. Sigo então a pé, com a música como amiga. Sigo então de transporte coletivo, com diversas companhias diárias. Sigo então deitado, com minhas ilusões dentro de sonhos estranhos e magníficos.

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