1
Me quer? Não me quer? As mãos torcidas
os dedos
ansiosos um a um respiro
assim tira a sorte enquanto
no ar da quaresma
caem os restos dos ipês
Que a navalha do vento destroça
enquanto que o tempo dos anos passeiam em vão
penso
e espero que eu jamais alcance
a moral idade do bom senso
2
Passa da uma
você deve estar na cama
Você talvez
sinta o mesmo no seu quarto
Não tenho pressa
Para que acordar-te
com o
relâmpago
de mais um Whatsapp
3
O mar se vai
o mar de sono se esvai
Como se diz: o caso está enterrado
a canoa do amor se quebrou na rotina
Estamos quites
Inútil o apanhado
A peça termina, fecha-se a cortina
4
Passa da uma você deve estar na cama
À noite a Via Láctea do teto me acorda
Não tenho pressa para que acordar-te
com relâmpago de mais um WhatsApp
como se diz o caso está enterrado
entre Eros e quase Thanatos
começa a ameaçar meu próprio
delírio
Vem as estrelas iludir
em horas como esta eu me ergo e converso
com os bilhões a história do universo
5
Sei o pulso mudo das palavras
não as que brilham na tela acesa
mas as que apodrecem no rascunho
as que falham
e ficam
como móveis no quarto imundo
entre Eros
e esse resto
onde nada termina só persiste
com outro nomenada existe.