1.4.26

MEUIAKÓVSKI

 1


Me quer? Não me quer? As mãos torcidas

os dedos

ansiosos um a um respiro

assim tira a sorte enquanto

no ar da quaresma

caem os restos dos ipês

Que a navalha do vento destroça

enquanto que o tempo dos anos passeiam em vão

penso

e espero que eu jamais alcance

a moral idade do bom senso


2


Passa da uma

você deve estar na cama

Você talvez

sinta o mesmo no seu quarto

Não tenho pressa

Para que acordar-te

com o

relâmpago

de mais um Whatsapp


3


O mar se vai

o mar de sono se esvai

Como se diz: o caso está enterrado

a canoa do amor se quebrou na rotina

Estamos quites

Inútil o apanhado

A peça termina, fecha-se a cortina


4


Passa da uma você deve estar na cama

À noite a Via Láctea do teto me acorda

Não tenho pressa para que acordar-te

com relâmpago de mais um WhatsApp 

como se diz o caso está enterrado

entre Eros e quase Thanatos

começa a ameaçar meu próprio

delírio 

Vem as estrelas iludir

em horas como esta eu me ergo e converso

com os bilhões a história do universo


5


Sei o pulso mudo das palavras
não as que brilham na tela acesa
mas as que apodrecem no rascunho
as que falham

e ficam

como móveis no quarto imundo

entre Eros

e esse resto

onde nada termina só persiste

com outro nome
nada existe.

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