A cada dia que passa você está mais longe de mim. Nossa distância pode ser medida pelo cordão umbilical.
Você ainda está aqui, e eu ali adiante. Você fala, fala e fala e nada de novo saí dessa boca. Nem consigo te ouvir. Só ouço a mudança de tom quando o assunto sou eu.
Sua visão moral me enoja mas eu te amo. Você finge não me entender. Por que mente para mim? Eu sou você.
A cada dia que passa você está mais longe de mim. A culpa é totalmente sua. Que não sabe medir tempo e espaço. Só olha pra baixo, para o seu buraco, enquanto eu estou lá em cima, numa esperança viva (que queima minhas entranhas) para que você (um dia) possa estar do meu lado. Antes que seja tarde demais.Para o nosso bem.
"Que seja feita a vossa vontade" não existe mais - se acostume com isso. O mundo não é seu, não é meu, não é de ninguém.
Por favor não me culpe pelos seus fracassos, pelas suas tristezas mesquinhas. Eu tenho as minhas também. Por favor não me entenda mal, eu te admiro muito. Se o amor existe, eu te amo. Mas por favor...apenas pare.e respire (quando foi a última vez?)
A cada dia que passa você está mais longe de mim. Nossa distância pode ser medida pelo cordão umbilical. Nossa distância pode ser medida pela corrente que se extende até meus pés. E começa no seu coração.
"Cada ser é distinto de todos os outros. O seu nascimento, a sua morte, os acontecimentos da sua vida podem apresentar nteresses para os outros, mas só ao próprio, diretamente, interessam. Só ele nasce, só ele morre. Entre um ser e os outros seres, há um abismo.Há uma descontinuidade." Georges Bataille
O que faz você entrar numa sala de bate-papo de encontros num sábado a noite e se deparar
com o vergonhoso - e dolorosamente irônico - TENHO ESPERANÇA SP ?
O tédio.
Grana pra sair ? Amigos efusivos ? Família facilitadora ? Não tenho.
O que me resta ? Web e maratona Bergman.
Onde dormir não adianta, eu moro; onde ouvir música sentado não dá em nada, eu vivo; onde beber escondido não consigo, me deprime; onde 60 gotas de anador não é suficiente, eu supero;
onde o tédio reina, eu respiro; onde esperar o inédito me cansa, onde pensar nessa ladainha eu me engano.
Poderíamos ficar juntos num outro mundo, numa outra dimensão? Não só nós dois, mas todos nós. Quando encosto em alguém, meu corpo parece querer se expandir de extase.Como o começo do universo.Toda a energia acumulada há milhões de anos que numa reação química se transforma para nos consumir, nos levando para o começo onde também tudo termina.Tudo vem a tona, nos trazendo de volta, onde tudo começa e termina.E vai repetindo, sem parar.Até os corpos se separarem e vagarem celestes por aí, até se encontrarem de novo, com novos corpos. Essa é a sintaxe da solidão terminada e recomeçada.E como era antes?Nada. (se me tocar ficarei aliviado) Imagino um preto silencioso sem dimensões, profundidades, algo que remeta a eternidade.Inconsciência total.Será assim a morte?Aposto que sim.Se a morte é a solidão, então já me encontro morto. Mas eu espero continuamente, como um fantasma, uma lembrança, aguardando que você me ofereça escapatória. Vou morrer sem ter tido tempo de ser seu e não me conformo com isso.Seu coração (e alma) me ajuda a viver mas ele não está do meu lado. Você é a carne, eu o vapor sem consolação. Vazio contínuo até a sua morte, quando poderemos nos tocar e juntos criaremos sóis e poeira estelar.
[Enquanto nessa dimensão, nesse mundo (o hoje e sempre) ficaremos separados (eu, sempre esperando)]